seg, 31 ago 2026 15:03
Docentes do Programa de Pós-Graduação em Política Social (PPGPS) e do Departamento de Serviço Social (DSE) da Universidade Federal de Viçosa (UFV) reuniram-se, no dia 28 de agosto de 2026, com integrantes da delegação da European University for Customised Education (EUNICE), vinculados à Université Polytechnique Hauts-de-France (UPHF): a Profa. Kathia Oliveira, o Prof. Abdelhakim Artiba, Reitor, e o Prof. Sébastien Grondel, Vice-Reitor.
A reunião constituiu-se como um importante espaço de diálogo acadêmico, intercâmbio científico e construção de possibilidades de cooperação entre a UFV e a UPHF, instituições integrantes da aliança EUNICE. A atividade possibilitou aproximar pesquisadores/as de diferentes trajetórias e contextos acadêmicos, favorecendo a identificação de interesses comuns e a construção de uma agenda de ações voltada à pesquisa, à formação e à produção coletiva de conhecimento.
Durante o encontro, foram discutidas possibilidades de desenvolvimento de projetos de pesquisa, ações de formação, intercâmbios acadêmicos e outras iniciativas de cooperação envolvendo o PPGPS, o DSE e a UPHF. Mais do que estabelecer ou ampliar vínculos institucionais, a reunião expressou a disposição de construir relações acadêmicas assentadas no diálogo, na troca de experiências e na produção compartilhada de conhecimentos, reconhecendo a diversidade dos contextos históricos e sociais nos quais se desenvolvem a pesquisa e a formação universitária.
Essa perspectiva atribui à universidade pública um papel que ultrapassa a dimensão técnico-institucional: compreende-a como espaço fundamental de produção, socialização e circulação do conhecimento, de reflexão crítica sobre a realidade e de construção de respostas aos desafios sociais contemporâneos. A cooperação acadêmica internacional, nesse sentido, pode contribuir para ampliar os horizontes da produção científica, desde que esteja vinculada a relações de intercâmbio efetivamente recíprocas e comprometidas com a construção coletiva do conhecimento.
Para o Serviço Social, essa compreensão da internacionalização assume particular relevância. Em uma perspectiva crítica, a internacionalização não deve ser reduzida à formalização de acordos, à mobilidade acadêmica ou à ampliação quantitativa de redes e parcerias. Trata-se de uma dimensão da vida universitária que precisa ser apreendida em suas determinações históricas e sociais e orientada pela possibilidade de confrontar experiências, perspectivas teóricas e realidades distintas, ampliando a capacidade de compreender as múltiplas expressões da questão social e suas determinações.
O diálogo entre pesquisadores/as e instituições de diferentes países permite, assim, apreender tanto as particularidades das diferentes formações sociais quanto os processos econômicos, políticos e sociais mais amplos que incidem sobre elas. Essa interlocução pode contribuir para a produção de conhecimentos sobre temas centrais ao Serviço Social, como questão social, políticas sociais, trabalho, direitos, desigualdades e formas de resistência, considerando que tais fenômenos assumem configurações historicamente determinadas e particulares, embora estejam inscritos em relações sociais mais amplas.
A construção de cooperações internacionais requer, portanto, relações horizontais, reciprocidade e reconhecimento da pluralidade de saberes e perspectivas. Pressupõe também a compreensão crítica das assimetrias históricas que atravessam as relações entre países, instituições e espaços de produção científica. Nesse sentido, internacionalizar a universidade não significa reproduzir modelos hierarquizados de produção e circulação do conhecimento, mas criar condições para o intercâmbio efetivo entre diferentes experiências acadêmicas e sociais, valorizando conhecimentos produzidos em distintos contextos e fortalecendo a capacidade de análise crítica da realidade.
Para o PPGPS e o DSE, essa concepção encontra sintonia com o compromisso do Serviço Social com a produção de conhecimento socialmente referenciado, com a formação crítica e com a defesa dos direitos, da democracia e da justiça social. A internacionalização, compreendida dessa forma, deixa de ser um objetivo meramente institucional e passa a constituir uma dimensão articulada à pesquisa, à formação e à produção de conhecimento, contribuindo para o fortalecimento acadêmico e político da universidade pública.
O encontro com a delegação da EUNICE/UPHF representa, nesse sentido, mais um passo na construção de uma agenda internacional do PPGPS e do DSE, ampliando possibilidades de interlocução, pesquisa e formação e fortalecendo a inserção da UFV em redes internacionais de cooperação acadêmica. Ao mesmo tempo, reafirma a importância de construir parcerias que respeitem as especificidades dos diferentes contextos e que tenham como horizonte a produção compartilhada de conhecimentos capazes de contribuir para a compreensão das contradições e dos desafios sociais contemporâneos.
Fortalecer a cooperação acadêmica internacional significa, nessa perspectiva, ampliar espaços de diálogo, pesquisa e formação, não apenas para aproximar instituições, mas para construir coletivamente novas possibilidades de interpretação da realidade e de produção de conhecimento. Significa, sobretudo, reafirmar a universidade pública como espaço de pensamento crítico, de intercâmbio entre diferentes experiências e de compromisso com a produção de uma ciência socialmente referenciada e com a defesa dos direitos e da democracia.